terça-feira, 11 de novembro de 2008

1. A NEGAÇÃO DO TRAÇO FEMININO DE CARÁTER

A educação da criança do criança do sexo masculino tem um fortíssimo viés feminino.
As suas mais profundas e antigas ligações emocionais e algumas das suas mais importantes
influências de comportamento vêm da mãe, das avós, das empregadas domésticas, das vizinhas, amigas da mãe e da professora. Quase como regra, o pai é mera figura de fundo na educação da criança do zero aos cinco anos. Antes e depois dessa idade, o pai raramente está disponível em casa durante a semana e, mesmo nessas ocasiões, tem sempre "coisas mais importantes" para fazer do que "cuidar de crianças" (como ler jornal ou assistir o futebol). Vale lembrar que, mesmo mães que trabalham fora, espicham ao máximo o seu pouco tempo em casa para conseguirem dar um mínimo de atenção e carinho aos filhos. O universo infantil é amplamente povoado e governado por adultos do sexo feminino. Para a menina, tudo bem. Mas para o garoto as coisas costumam ser nada fáceis...A partir dos cinco, seis anos, a família, a escola, os coleguinhas, todo mundo espera que o macho em formação se comporte como "homem que é", sem deixar qualquer dúvida quanto à sua "masculinidade". É nesse momento, e diante de tanta cobrança, que o pesado componente feminino do seu caráter em formação tem que ser bruscamente negado e duramente reprimido. Comportar-se de modo considerado "feminino", é expor-se ao ridículo, candidatando-se a apelidos nada agradáveis do tipo "mulherzinha", "fresco", "maricas", etc.
Triste verdade, por força da repressão recebida nessa idade, a maioria dos homens nunca mais conseguirá expressar com naturalidade e de modo não-culposo a componente feminina da sua personalidade.
Para sobreviver como homem, o macho deve renunciar, em caráter definitivo, a uma parcela importantíssima e fundamental da sua identidade. Essa terrível "auto-mutilação" é feita através de "formação reativa", processo de reação psicológica que consiste em o menino tentar mostrar por todos os meios que é realmente homem, migrando para o comportamento considerado o extremo oposto dos traços femininos que devem ser rejeitados na sua conduta. Isso resultará, mais tarde, no conhecido padrão de comportamento masculino arraigado - a postura de machão. O preço da negação do componente feminino de caráter será um rígido e permanente controle do macho sobre todas as suas ações, reações e emoções para toda a vida, de modo que jamais repouse qualquer dúvida (exceto nele mesmo...) sobre o gênero a que pertence.

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